domingo, 30 de outubro de 2011

Armadilha


Por algum instante quando me remeti ao meu aquário, pensando que estivesse o esquecido.

Embora o peixe beta overhalfmoon com suas barbatanas, formando no conjunto uma lua quase cheia, numa máxima expressão de beleza e harmonia, tanto pelas longas caudas, pela força, pelo tamanho e pelo estado de perfeita saúda em que se encontrava... Nadava por lá há mais de 2 anos, sozinho.

Sinal que havia sim uma certa harmonia, pois é muito mais difícil manter a àgua do aquário limpa.

Com o intuito de criar para o bem ou para o mal, não sei, resolvi dar vida ao que já estava latente, numa correnteza de turbulentas idéias.

Quando passei a me importar com meu Beta, de modo a perturbar as aguas calmas do meu aquário, cada vez mais peixes betas com outros tipos de caudas, como as duplas, as de coroa, de véu, com cores diferentes, cores exóticas, nuances e contrates enfeitaram ali.

Contudo muitos sentimentos vieram à tona, sentimentos íntimos como expressão do pensamento ou da força masculina, o animus. Que extraia todo o oxigênio de dentro do aquário, tornando a agua estéril.

O ultimo peixe beta que cultivei era onipresente, impiedoso e violento, já tinha matado a primeira fêmea, sabia o momento certo para colocar os marcos (ovos) para ganhar ou perder.

Algo me dizia, quer dizer o animus dizia, que era preciso cultivar melhor o aquário para receber a fêmea, de forma redonda e angulosa, de tal as mulheres de curvas das obras impressionistas de Renoir e, ainda confeccionar um ninho para ela de forma a viver separada do macho até chegar o dia do abraço.

Num perfeito desiquilíbrio, entre a água turva e a armadilha feita, o peixe macho se apresentava numa dança insana... O animus me fez crer que era uma dança da fecundação. Mas, ela surgiu como uma reação dos aspectos negativos ou daquilo que era enlouquecedor.

Por conseguinte, aquela dança cessou a criação e me trouxe inquietações, talvez eu não estava cuidando bem desta agua? O animus, desta vez me culpava...

As manchas esbranquiçadas , sua doença, sua dança descontrolada, a busca incessante do oxigênio na superfície coagulou a agua do aquário ao invés de fertilizá-la e anoiteceu morto, numa forma deteriorada da vida, póstumo no fundo do aquário entre as pedras desvão.

Sua virilidade não fez borbulhar as aguas, não se fez ser idêntico, não renasceu, seus ovos não surgiram das cinzas, como uma fênix.

Algo deu errado nesta relação... A fêmea agora em liberdade nadava entre outros peixes de outras espécies.

Era mais que preciso dragar o aquario em busca de vida, em busca do self... Era preciso tornar oanimus saudavel, fazendo com que ele deixasse de assumir o comando da vida.

De certo, um relacionamento poluído, destruído por tempos... Como seria possível criar algo agradável em circunstancia difíceis e que não fazem bem?!

Só então, percebi.